sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Impressões: Renault Clio 2012

Assim que a linha 2012 do Renault Clio foi lançada, tive a oportunidade de passar alguns dias com o hatch, em sua versão 4 portas, podendo analisar as características que fazem o modelo conquistar um bom número de vendas, apesar de estar há tanto tempo sem nenhuma mudança profunda em seu visual.

Foto: Renault/Divulgação



Seu propulsor rende 77 cv @ 6.000 RPM de potência e 10,2 kgfm @ 4.250 RPM de torque, quando está bebendo E100. A missão desses cavalinhos é puxar os 880 kg do anoréxico modelo, o que parece ser uma tarefa fácil, visto que esse motor também lida com Sandero e Logan, consideravelmente mais pesados, sem fazer muito vexame.

O Renault Clio nasceu para oferecer certo luxo e conforto, por isso ainda carrega alguma herança de seus tempos áureos, como as peças bem encaixadas, os bancos de formato confortável e o interior de bom gosto. Tudo bem que é do século passado, mas é inegável que ainda pode agradar. O refinamento mecânico também é evidente, visto que oferece barras anti-rolagem na dianteira e traseira, além de discos ventilados nos freios dianteiros, algo pouco comum em carros de entrada.

Foto: Renault/Divulgação

De qualquer forma, os sinais de empobrecimento crônico estão por todos os lados. Só para citar alguns exemplos, o tecido dos bancos é de baixa qualidade, os repetidores laterais de seta deram lugar a uma plaquinha com o nome do carro, há buracos no painel aonde no passado já houve airbag e display multifunção.

Ao entrar no carro, busco posicionar meus 1.90 m de forma confortável. O banco tem boa amplitude de ajuste longitudinal e o encosto é regulável por roldanas, como deveriam ser todos. Porém, noto que minha cabeça e o teto estão próximos de se tornar um só corpo. Culpa do assento elevado sem regulagem de altura, afinal os engenheiros imaginam que carro de entrada não é carro para quem cresceu demais.

A embreagem macia é o oposto da duríssima alavanca de câmbio com acionamento por varão, mas ambos casam bem com o motor, movendo o compacto com dedicação. Sinal aberto, pista vazia à frente, dá-lhe espora nos 77 cavalos que não refugam, fazendo o Clio ganhar velocidade com vigor. E acima dos 4.000 RPM a brincadeira fica mais divertida, nem dá vontade de andar abaixo dessa faixa de rotação.

O acerto de suspensão e direção é delicioso, seja no asfalto crocante da cidade ou nas mais sedutoras curvas de uma estrada. Isso ajuda a esquecer que toda hora minha cabeça bate no teto ou a ergonomia comete pecados mortais, como é o caso do acionamento dos vidros elétricos. Custava a Renault usar o mesmo comando de vidros elétricos do Symbol?

Foto: Renault/Divulgação.

Na cidade o Clio se mostrou bem disposto e econômico, com média de 9 km/l de Etanol, sempre com o ar-condicionado ligado, provando que pode ser um bom companheiro para o dia-a-dia, contribuindo para manter baixos os seus gastos mensais.

Mas na estrada é que o pequeno Renault mostra seu valor, trazendo um sorriso ao rosto daquele que habita o local atrás do volante deste carro. Um verdadeiro estradeiro. Como assim? O Marcelo ficou maluco? Carro 1.0 estradeiro? Tire suas próprias conclusões de acordo com os detalhes abaixo.

Com as 16 válvulas do motor livres para desfrutar de altos giros, o Clio é capaz de afugentar até modelos mais pesados com motor 1.4. O câmbio com bom escalonamento de marchas é perfeito para a sua função. Os freios são completamente bem dimensionados, afinal, são os mesmos que equipavam o finado Clio 1.6 16V. E os sapatos Goodyear GPS3 Sport 175/65 R14 fazem um perfeito conjunto com o, novamente mencionado, ajuste primoroso de suspensão. Como esse carro é bom de curva!

O consumo verificado foi de 12 km/l de Etanol, que permite ao modelo ter uma boa autonomia, apesar do seu tanque de 50 litros ser apenas razoável. O porta-malas de 255 litros apenas cumpre seu papel, não aceitando excesso de bagagem.

Ao me despedir do Clio, fiquei com aquela sensação de que a diversão foi boa, mas faltou algo. Que algo? Regulagem de altura do banco e volante, computador de bordo e, fundamental, o delicioso motor 1.6 16V, que podia voltar a equipar o Clio, nem que fosse em uma versão pseudo-esportiva.

O preço dele pode chegar a R$ 32.350,00 com todos os equipamentos e pintura metálica, de acordo com o site da Renault, mas não é difícil encontrar promoções aonde o valor fica bem abaixo a esse. Além do bom preço, o Clio possui 3 anos de garantia, tornando-o um verdadeiro bom negócio.


Resumindo...

O carro é bom em consumo, acabamento, desempenho e relação custo/benefício, mas é ruim em espaço interno, posição de dirigir e equipamentos disponíveis. Sua compra pode ser considerada RACIONAL.


Marcelo Silva

6 comentários:

  1. Po Faz um Teste com o Corsa Milenium 2001..

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  2. Olá!

    Infelizmente não conheço ninguém que possui um Corsa Millenium 2001, mas vou dar uma pesquisada. Pretendo inaugurar uma nova área aqui no blog sobre carros que marcaram o nosso passado.

    Abraço!

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  3. Comprei um duas portas da promoção dos 22,900, com mais a direção hidraulica saiu por 23,990...
    Eu o pego na semana que vem, o que eu posso esperar dele além do que já foi analisado aqui por ti?
    E o que devo observar no carro antes de retira-lo da concessionaria?
    t+

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    Respostas
    1. Olá amigo, em primeiro lugar, parabéns pela sua compra. O Clio é um veículo que tem um custo de manutenção bem baixo, pois a Renault baixou bastante o preço das peças para manter o carro com boa aceitação no mercado.

      O atendimento da Renault no pós-venda costuma ser muito bom e ouço excelente feedback das pessoas quando deixam o carro na revisão. Lembre-se de fazer as revisões no tempo certo para não perder a boa garantia de 3 anos.

      Na hora de retirar seu carro, cabe as verificações básicas. Verifique se há arranhões na carroceria, pequenos amassados ou afins. Verifique também a base do para-choque dianteiro, pois pode ficar arranhado na hora que desce do caminhão-cegonha. Os pneus devem estar em bom estado, assim como palhetas do limpador, borrachas e afins. Verifique se há alguma peça mal-encaixada, principalmente no painel ou o carpete.

      Quando sair com o carro, fique atento a ruídos e verifique se o alinhamento está correto.

      O único problema do Clio costuma ser o preço de revenda, pois é difícil conseguir bom preço no particular, bem como nas concessionárias, se for trocar por outro carro.

      Espero ter ajudado! Abraço.

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  4. Marcelo, é a primeira vez que visito seu site e tô gostando muito do conteúdo. Seguinte... tenho um Corsa Maxx 2008 1.0 completo e estou pensando em vendê-lo para comprar um carro zero. Como não estou querendo gastar muito nesse momento, estou levando em consideração o Clio, apesar de saber que trata-se de um carro que vem sendo depenado pela Renault e que já está bastante defasado, é econômico e confortável (apesar de ruim de revenda). Meu único receio é quanto à sua suspensão... soube que o carro não aguenta muito os trancos das nossas estradas cheias de buracos. O que você acha disso?

    Obs. Entre o Corsa 1.4 por 31 mil com AirBag, o March 1.6SV por 35 mil e o Punto 1.4 ELX por R$ 38 mil, qual você acha a melhor compra?

    Grande abraço.

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    Respostas
    1. Olá Tony,

      Em primeiro lugar, peço desculpas pela demora, estava em viagem. Olha, eu conheço alguns donos de Clio muito satisfeitos com o carro em todos os sentidos, mas nenhum ficou muito tempo com o carro, trocaram antes dos 40.000 km. Já um outro amigo meu, ficou alguns anos com um Clio 2006 e vendeu com mais de 120.000 km, trocando os amortecedores aos 70.000 km. Dei uma pesquisada e vi que o carrinho se torna uma fonte de ruídos conforme vai envelhecendo, grande parte desses ruídos é realmente da suspensão. Mas não creio que isso seja um problema tão grande diante dos outros bons predicados do carro. Eu compraria sem medo, mas esperaria o face-lift que a Renault vai fazer em 2013.

      Sobre a sua dúvida, o Corsa 1.4 é um excelente carro e está em um preço ótimo, mas a produção dele foi descontinuada, então se for comprar, pede um bom desconto pro vendedor. O March é um excelente carro, ainda mais em performance, e tem um desenho bem atual. Mas quando vier a versão com ABS em 2013, essa versão 1.6 SV atual vai ficar ruim de vender depois. E o Punto 1.4 é outro carro que vai mudar, mas ainda muda esse ano. Quando morei em SP, fiquei alguns meses com um Punto 1.4 e achei muito satisfatório em vários sentidos, menos na performance.

      Das suas opções, eu ficaria com o March, por causa do motor mais forte.

      Abração!

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