terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Avaliação Fiat Linea Essence, Parte 1 - Aspectos Gerais

O Fiat Linea Essence preto estava estacionado lá no canto do pátio, quase esquecido, era apenas mais um na multidão de carros daquela locadora. Durante o checklist, pude observar melhor as linhas do carro que sempre achei belo, desde o seu lançamento. A impressão não mudou, o Fiat Linea possui linhas bem resolvidas, típicamente italianas, bem agradáveis, principalmente na traseira.

Belas linhas. Foto: Marcelo Silva

O Fiat Linea foi lançado em setembro de 2008 aqui no Brasil para ocupar a lacuna deixada pelo Fiat Marea, similar ao modelo lançado 1 ano antes na Turquia. Em 2009, foi a vez da India receber o modelo, também sem diferenças visuais. As versões eram LX, HLX, Absolute e T-Jet, sendo as três primeiras equipadas com o motor 1.9 16V "Torque" (132 cv e 18,6 kgfm) e a T-Jet equipada com o 1.4 Turbo do Punto e Bravo de mesmo sobrenome (152 cv e 21,1 kgfm).

Apenas na linha 2011 o Linea passou a ser equipado com o motor 1.8 16V E.TorQ, também presente em outros carros da montadora italiana. Na linha 2012, a versão Essence que avaliamos foi responsável por substituir as versões LX e HLX de uma só vez.

E.TorQ 1.8 16V, bom motor. Foto: Marcelo Silva

Com 132 cv @ 5.250 RPM e 18,9 kgfm @ 4.500 RPM, o motor cumpre bem sua tarefa de carregar os 1.315 kg do sedã de 4,56 m de comprimento, 1,73 m de largura, 2,60 m de entre-eixos e 1,50 m de altura. O porta-malas é generoso, com 500 litros.

Abro a porta e me posiciono no banco do motorista. Se fosse um programa de TV e eu tivesse que adivinhar o carro de olhos fechados para ganhar 1 milhão de reais, eu voltaria para casa com as mãos abanando, pois responderia que é um Punto. Também pudera, a posição de dirigir perfeita com amplas regulagens, o volante com a pegada ideal, a localização de todos os comandos e até o cheiro é do Punto, afinal, o Linea nada mais é do que um Punto sedã, derivado da plataforma do compacto.

Interior luxuoso. Foto: Marcelo Silva

Isso remete à dúvida: se o Punto é vendido aqui como "compacto premium", qual o motivo de um sedã derivado deste ser concorrente de Honda Civic, Toyota Corolla e afins? Talvez a resposta seja um dos motivos pelos quais as vendas do Linea nunca decolaram. Fato é que o Linea tem pouco espaço para as pernas nos bancos traseiros e, apesar de ser luxuoso, abusa de plástico duro em seu interior. Mas o carro surpreende ao abusar também de cuidados com detalhes simples.

Pouco espaço na traseira. Foto: Marcelo Silva

O painel de instrumentos é o mesmo do Punto, apenas com diferenças na grafia dos instrumentos. Aliás, justiça seja feita, há um porta-objetos no topo do painel, acima das saídas de ventilação, que não existe no carro do qual o Linea derivou. Porém, como pode ser visto na foto logo abaixo, é de utilidade questionável, visto que nem abriga direito um celular de pequeno porte.

Black piano. Foto: Marcelo Silva

Como já mencionei, a posição de dirigir é perfeita, uma das melhores entre os carros nacionais. A regulagem da coluna direção é ampla, em altura e profundidade, e a alavanca para esta finalidade é de fácil acionamento. A regulagem de altura do banco do motorista é feita por alavanca também. Empurra pra baixo, o banco desce, puxa pra cima, o banco sobe, simples assim. O único pecado fica por conta da roldana de ajuste do encosto, à esquerda do motorista, fazendo com que o acionamento seja um martírio para quem usa relógio ou tem a mão um pouco grande.

Painel de instrumentos. Foto: Marcelo Silva

A ergonomia também é exemplar. Fato é que todos os comandos estão à mão, desde os comandos atrás do volante, quanto os comandos do rádio e ar-condicionado. O acionamento de um-toque dos quatro vidros elétricos fica na porta, ao alcance da mão. À frente destes, está o botão para acionamento elétrico dos enormes retrovisores externos. O retrovisor interno possui sistema "dia-noite" de acionamento manual, mas achei desagradável o retrovisor se desregular quando o mecanismo é acionado.

Tudo à mão. Foto: Marcelo Silva

O computador de bordo é excelente e de fácil operação pela haste direita e possui boa visualização também. Apresenta informações como consumo médio, instantâneo, autonomia, tempo de viagem e distância. Também funciona como display adicional do rádio com RDS. Certas funções podem ser configuradas pelos botões à esquerda, no painel, como o alerta de velocidade, a função do volume do rádio vinculado à velocidade, entre outros. 

O rádio por sinal cumpre bem seu papel, com razoável captação do sinal e boa qualidade sonora. Pena que os tweeters dianteiros ficam mal localizados, ao lado das maçanetas internas. O tratamento a detalhes no interior é memorável, com porta-copos bem localizados, inclusive no apoio de braço central do banco traseiro. A iluminação da cabine é feita por spots na dianteira e uma luminária simples na traseira. Os dois espelhos de cortesia são iluminados, o que é excelente.

Atenção aos detalhes. Foto: Marcelo Silva

O já mencionado volume de 500 litros do porta-malas é generoso. Além disso, as articulações pantográficas não invadem o interior, e há ainda banco traseiro bipartido, encosto e assento, coisa de hatch. O estepe dorme no interior, abaixo do carpete.

Muito espaço mesmo. Foto: Marcelo Silva

Externamente, encontramos os já mencionados retrovisores enormes, com rebatimento manual de fácil operação. As maçanetas são cromadas e de acionamento suave. As portas abrem e fecham da forma que se espera em um modelo de quase R$ 60 mil, transmitindo sensação de solidez e qualidade. Há frisos cromados por toda parte, mas são de bom gosto.

As rodas de liga leve aro 15" são emolduradas por pneus 195/65 R15 Bridgestone Turanza ER30, que contribuem para o conforto do veículo devido ao seu perfil alto. Como opcionais, o carro pode ser calçado com rodas de 17" e pneus 205/50 R17, como nas versões mais caras Absolute e T-Jet, deixando-o com um visual mais esportivo.

Em seu melhor ângulo. Foto: Marcelo Silva

Já com o ar-condicionado ligado, espelhos regulados e banco/volante na posição ideal, engato a primeira e me preparo para a avaliação do Fiat Linea Essence na cidade. Mas esse é assunto para o próximo post.

Marcelo Silva

5 comentários:

  1. Começamos razoavelmente bem. Vamos ver se o bicho anda.

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  2. Gostei muito da abordagem.

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  3. Gabriel Boardman Frederico11 de janeiro de 2012 01:11

    Acelera Marcelão! Quero saber as impressões do bichão andando! Minha mulher terá duas opções de carro quando virar gerente, Linea ou Bravo. Vou me basear nas suas impressões para escolher, ou seja, próxima avaliação sua deve ser o Bravo! Abraço

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  4. Marcelo, parabéns pelo artigo! Muito bem escrito! :)

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  5. Boa Marcelo blz, vi o video postado por acaso no youtube.. ai deparei-me com iguaba grande, heheeh minha cidade tenho um linea 1.9 HLX ano 2009, e o que se falou no video e verdade.. tem que ter o giro do motor sempre alto... no começo ele morria muito ate acostumar ele com a embreagem e o acelerador.. se sente uma diferença de carro que num tem o acelerador eletronico com o de cabo... aqui eu rodo com ele poucou estou com ele 14700 km, mais e um bom carro os comentarios foram certeiros... e segundo a fiat o siena novo so num sai com motor 1.8 pq iria desbancar o linea.... mais eu reclamei com a ouvidoria da fiat sobre alguns item que o linea vem na europa, tipo a reglagem de altura doas farois, ESP.... o projeto do linea tem como melhorar mantendo o preço atual... mais num encontro a explicação, veja bem la muitos não compram a fiat por ter muitos opcionais no carro.. alem de preço fixo com itens de serie, os que realmente importa ficam como opcionais.. mais ou menos que acontece por aqui.... eles sabem o que o mercado brasileiro gosta, mais insistem em não melhorar o linea... ouvi rumores que o modelo 2013 mudará alguma coisa, cogitou-se em mudança visual, mais num sei.... bom Marcelo ficarei acompanhando vosso trabalho, abraços!!!

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