terça-feira, 17 de abril de 2012

Impressões: Mitsubishi Lancer GT

Não escondo minha satisfação quanto estou diante de um carro que consegue atiçar meus instintos mesmo quando está parado. Diante do Mitsubishi Lancer GT, um Toyota Corolla XRS morreria de vergonha. Honda Civic se esconderia atrás da saia da mãe. Chevrolet Cruze e Hyundai Elantra desejariam fazer parte de outra categoria. No mundo espiritual até fazem, afinal o Lancer GT é irmão do lendário Lancer Evo X, só que não tomou anabolizantes. E o "Evo" faz parte do imaginário de qualquer apaixonado por carros, só perdendo espaço para o seu maior algoz, o Subaru Impreza WRX. Mas se você, assim como eu, não possui condições de ostentar um Evo em sua garagem, não se preocupe, há uma solução.

Quero ser Evo.

São 6:20 de uma manhã típica de outono. Enquanto o sol briga por um espaço entre as nuvens de cobre, um vento fresco entra pela fresta de 2 dedos na janela do motorista. E não está só, junto entra o ronco do motor Mivec 2.0 16V, que invade meus ouvidos sem sequer convidá-los para jantar antes. Patada na enorme pedaleira metalizada que convida as pastilhas famintas a morderem as pizzas de freio (são 15 polegadas na dianteira e 14 na traseira, quase do tamanho de uma pizza grande de mussarela). O ABS entra suave, maximizando o contato de 215 mm de borracha da estirpe Yokohama no asfalto poroso.

A curva é para a esquerda. Me aproximo dela reduzindo uma marcha pela borboleta metálica atrás do volante, igual à do Evo. O conta-giros revela os 5000 RPM de pura alegria do motor. Enquanto contorno a curva sem sustos, vou acelerando progressivamente e o câmbio me obedece como um Labrador treinado. É um CVT, mas sua terceira marcha simulada pelo "Sports Mode" fica lá até eu golpear o paddle da direita, chamando a marcha seguinte. O câmbio não tem vida própria nessas condições, ele apenas te obedece, da primeira à sexta marcha simulada. E as relações são perfeitas, irretocáveis, doces e suaves como o asfalto à minha frente tingido pelo facho azulado dos faróis de xenon.

Paddle shifts de verdade.

Adiante se aproxima mais uma sequência de curvas: esquerda, direita e depois esquerda de novo. O asfalto meio ondulado provoca a dinâmica do carro tanto quanto a sua namorada te provoca com aquela calça de couro.  Meu amigo Lancer responde deliciosamente às provocações, quase neutro, com qualquer abuso sendo corrigido tranquilamente pela direção hidráulica rápida e comunicativa. Não há controle de estabilidade, nem nessa versão top de linha, a GT. Mas ele parece não precisar disso, é tremendamente estável, acompanharia um Ford Focus em uma descida de serra sem suar a camisa. 

Paro em um restaurante à beira da estrada para tomar um café. Os poucos cidadãos no local são unânimes na curiosidade e admiração pelo carro. Talvez pelas lindas rodas aro 18, ou pela frente agressiva, ou ainda pela cor branca que está na moda e casa muito bem com esse sedã. Uma garçonete não esconde a curiosidade e me pergunta qual o carro. Respondo que é um Lancer, ela faz uma cara de dúvida e continua como se eu não tivesse respondido. "Bonitão!" - emenda ela antes de abrir um sorriso metálico e se afastar.

Lindas rodas.

O tal bonitão tem 1.90 m de altura, é moreno...ops, acho que ela estava falando do carro. O Mitsubishi Lancer GT tem 4,57 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,49 m de altura e 2,63 m de distância entre-eixos. Sua massa de 1.360 kg é sustentada por suspensões independentes nas quatro rodas (multilink atrás) e pneus Yokohama Advan 215/45 R18. Para puxar a carga, são 160 cv @ 6000 RPM, extraídos do competente motor Mivec 2.0 16V, duplo comando, com torque de 20,1 mkgf @ 4200 RPM. Ainda não tendo sido apresentado ao saquê, esse japonês se serve apenas de Gasolina, para a nossa alegria.

Bonitão.

No interior, há conforto de sobra para os ocupantes, servidos por bancos de couro macios e bem acabados. Os dianteiros possuem bom apoio lateral e ampla regulagem de altura para o motorista. Tudo é tão bom que até estranho a falta de regulagem em profundidade da coluna de direção. O painel dessa versão apresenta um vistoso DVD Clarion, mas é simples demais, apesar de funcional. No painel de instrumentos, mais simplicidade e funcionalidade, porém o display multifuncional cativa com seu alto contraste. Se sua sogra reclamar do porta-malas de 413 litros, deixe ela se encantar com o teto solar de bom tamanho.

Interior confortável.

De volta à estrada, deixo o Lancer deslizar suavemente com o câmbio CVT em modo automático explorando as infinitas relações de marcha. A 100 km/h cravados pelo cruise control, o computador de bordo acusa 15 km/l, que em conjunto com os 59 litros de capacidade do tanque proporcionam uma excelente autonomia. O silêncio à bordo só é quebrado pelo bom som emitido pelos 6 auto-falantes bem posicionados. O bem-estar é garantido pelo ar-condicionado automático que mantém os 20 ºC com o rigor de um samurai.

Rodando na cidade o sedã também agrada, graças às suas dimensões não tão exageradas como as de um Renault Fluence ou um Citroën C4 Pallas por exemplo. A transmissão CVT novamente me agrada pela suavidade e também pela esperteza quando eu a provoco com um kick down. O carro não é demasiadamente duro no asfalto lunar, mas dá pena das rodas aro 18 e pneus de perfil baixíssimo quando aparece uma valeta ou um buraco pelo caminho. O consumo em ciclo urbano foi de aceitáveis 9 km/l nesse modelo com seus 6.800 km rodados.

Força e eficiência.

Prestes a me separar do meu novo amigo, comecei a fazer cálculos de cabeça para ver quanto me custaria ter um desses na garagem. Por enquanto o Lancer é importado, mas deverá ser fabricado no Brasil em um futuro próximo. E graças a essa origem internacional, seu preço não é nem um pouco agradável. Começa em R$ 68.990 para a versão manual e vai a R$ 90.990, para uma versão similar ao carro que eu testei. Foi nesse momento que o Lancer começou a perder suas vantagens. 

Por R$ 81.490, é possível o consumidor levar pra casa um Peugeot 408 Griffe THP, com seu eficiente motor 1.6 Turbo de 165 cv e um espertíssimo câmbio automático de 6 marchas. Ainda que seja mais pesado e não possua o mesmo requinte de afinamento da suspensão que o Lancer, este francês contra-ataca oferecendo ESP, ar-condicionado dual zone e mais espaço interno.

Só aí eu já estava decepcionado com o sedã nipônico. Mas a decepção se tornou raiva quando me lembrei que o VW Jetta Highline TSi custa R$ 89.520, com sua combinação estado-da-arte do motor 2.0 Turbo de 200 cv e o fabuloso câmbio automatizado DSG. O alemão fica devendo ao japonês o teto solar e o GPS, que são opcionais, mas ainda que ficasse devendo as rodas, os bancos e tudo mais, eu levaria o motor/câmbio do Jetta para casa e seria feliz. 

Diante desses fatos, nem mesmo os predicados oferecidos pelo Mitsubishi Lancer GT e a minha devoção eterna pelo Evo seriam suficientes. Talvez a versão manual de 5 marchas pudesse ser interessante, mas pagar quase R$ 69.000 apenas pelo afinamento impecável de suspensão e acerto de carroceria? Prefiro ir de Focus Sedan GLX 2.0.

Resumindo...

O carro é bom em beleza, conforto, acerto de suspensão, prazer ao dirigir, mas é ruim em preço, falta de itens básicos e falta de requinte. Sua compra pode ser considerada EMOCIONAL.

Texto: Marcelo Silva
Fotos: Divulgação

12 comentários:

  1. Aproveitando a deixa sobre os carros de luxo brancos, salvo engano, todos os Mitsubichi de passeio aceitam essa cor por se encaixare nessa categoria. A Peugeot lançou na primeira propaganda o 308 nessa cor. Será que este os modelos desta categoria seriam o ponto de partida para os carros brancos? O que diria o nobre escritor com o intuito de ajudar alguém como eu que quer comprar um carro branco, existe um valor mínimo, levando-se em conta pontos negativos como a desvalorização? Excelente reportagem, parabéns. Abraços!!

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  2. Gabriel Frederico20 de abril de 2012 01:56

    O preço tira o tesão completamente...pena...pelo jeito vai encalhar. Se encalhar vamos esperar as promoções ou então quando vier o nacional....quem viver, verá...abraço e parabéns pelo texto.

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  3. Alguem sabe me dizer qual o tamanho dos alto falantes da versao gt?

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  4. O X dessa questão é justamente esse: O preço! Isso elitiza o carro, propiciando ao proprietário um certo status, sobressaindo sobre os "mortais", como eu, kkkk. Da mesma forma que um alemão esse japa é pra quem não tem medo da revenda... Abraços

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  5. Por favor me responda, onde é fabricado esse carro? Abraço

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    1. Olá amigo, desculpe a demora. Se não me engano, é importado para o Brasil direto do Japão.

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  6. Acabei de comprar um...adorei... nessa faixa tinha muitas opções, principalmente o Cruze o o Civic...o Civic vai mudar de modelo, fiquei meio frustrada e o Cruze é lindo, adorei dirigi-lo, mas não sei...o Lancer me conquistou, a cmbinação da dirigibilidade com o cambio cvt...o torque... à primeira vista o painel é mesmo meio "simples", mas é que estamos acostumados a ver mta informação nos carros...Acho que o painel do Lancer é mais clean, não cansa a vista, me marido tem um Elantra novo tbm...é lindo, mas é mta luzinha, botaozinho, alavanquinha. Tô apaizonada pelo meu Lancer!

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  7. Ainda que um pouco tarde, permito-me parabenizar o colunista! Isto que é avaliação de respeito... Imparcial, mas também complacente com os bons carros!... Mas na minha modesta opinião carros de verdade são os alemães e nipônicos... Nada de excessos e maquiagens, como bem o colocou a leitora Roberta!... Não esquecendo a segurança que proporcionam!...

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  8. Baita de um carro! Comprei um há 100 dias. Não paro d olhar para ele quando estou perto. Lindo demais!!

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  9. Olá. Estou na dúvida entre um Lancer MT e um Focus Sedan SE. O que acham? Já dirigi um focus sedan Duratec 2005 e o carro anda muito. Se o novo Focus for assim comprarei um, caso contrário estou querendo ir de Lancer. Alguém tem uma opinião a respeito?

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  10. Realmente o carro é lindo. Design agressivo que não me canso de olhar. Tenho um Lancer MT há quase 1 ano e não me arrependo de nada. Quanto ao preço, o custo para mantê-lo - seguro, impostos, combustível e revisões - está dentro do esperado, compatível para um carro desta categoria. Quanto a performance, é sensacional, anda muito bem, principalmente na terceira e quarta marchas. O conjunto rodas/pneus é meio barulhento, mas é a escolha que se faz pela esportividade. É um carro muito estável, parece que está andando sobre trilhos. Tenho 25 anos, ao analisar os concorrentes acredito que não tem pra ninguém nessa faixa de preço e categoria! Outro ponto que gosto muito é que existem bem menos Lancers rodando na rua do que Civics, Corollas, etc.

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