quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Impressões: Chevrolet Spin LTZ Automática

Como parte da renovação de sua linha no Brasil, em um determinado momento a Chevrolet se viu obrigada a substituir suas longevas minivans Meriva e Zafira. E a opção de trocar duas por uma deixou a Spin com uma missão complicada: ser compacta e mais barata como a Meriva e entregar o espaço e certo requinte como a Zafira. Se ela conseguiu? Vejamos logo abaixo no teste feito pelo Direção Assistida.


O que é, o que é? Tem volante, cluster, bancos, botões e comandos do Chevrolet Cobalt mas não é o dito cujo? De olhos fechados, eu poderia jurar que estava dentro do espaçoso sedã em questão, mas esse Cobalt era estranho, pois conseguia ter uma posição de dirigir ainda mais elevada. E além disso, há um maior número de porta-objetos, incluindo dois buracos no painel ao lado do rádio e espaço maior para copos e garrafas nas portas. Abri os olhos e notei, pela amplitude, que aquele não era o sedã.


Após umas voltas pelo exterior do carro, confesso que é meio complicado se acostumar com o visual. A frente brutamontes lembra a Chevrolet S10, enquanto a traseira lembra um pouco a concorrente Nissan Livina. Parece que a imigrante japonesa se engraçou com o football player na high school, gerando a mestiça Spin como fruto dessa miscigenação. Devaneios à parte, deixo claro que não sou especialista em design, mas na minha opinião o resultado não é tão ruim quanto parece, essa moça fica melhor ao vivo do que nas fotos que coloca no Facebook.


A posição de dirigir é bem elevada, quase tão alta quanto um SUV, agradando aqueles que gostam de dirigir nas alturas, o que não é o meu caso. Com o banco na posição mais baixa, dá para dobrar os joelhos como se eu estivesse em uma cadeira, similar ao que ocorre no Fiat Idea, a agradável concorrente da Spin LT, versão de cinco lugares. Quanto ao espaço, é excelente nos bancos da frente e na fileira do meio. Já os dois assentos da "cozinha" são claustrofóbicos e de difícil acesso, mas é um bom lugar para colocar seu filho de castigo quando ele morder a babá ou puxar o cabelo da irmã.


Com a terceira fileira de bancos posicionada no lugar, o porta-malas abriga 5 % da bagagem da sua esposa para uma viagem de três dias. Mas basta rebater o assento (com facilidade) e você terá 553 litros à sua disposição. Infelizmente os bancos não são removíveis, mas quem gosta de acampar faz melhor escolha se levar a versão LT com seus 710 litros de porta-malas. É tanto espaço que dá para dormir lá dentro, com a família, e o cachorro, e o papagaio, e a sogra... Ok, a sogra não.


Esse câmbio automático de seis marchas veio do Cruze, e também equipa o Cobalt. A diferença é que na Spin (e no Cobalt) a Chevrolet colocou os engates sequenciais em um botão, algo tão intuitivo como usar o cabo de uma colher para comer sopa. Logo, a melhor opção é deixar a alavanca quieta no "D" e curtir o entrosamento entre as seis marchas e o torque de 17,1 kgfm @ 3200 rpm (com etanol), que coloca os 1255 kg da Spin em movimento com facilidade.


Na cidade o bom torque do bloco 1.8 é cumpridor, mas não espere um carro com fôlego de atleta na estrada. A Spin parece um lutador de boxe peso-pesado, tem bom punch, mas pouco cardio. A potência máxima gerada (com etanol) é de parcos 108 cv, e isso ocorre na casa das 5400 rpm, deixando o carro meio desanimado em altos giros. O câmbio faz sua parte para manter as rotações na faixa ideal de força, mas basta um kick-down para sentir o marasmo.


Tive a oportunidade de abusar um pouco mais da Adele sobre rodas do que um pai de família pacato faria, e a moça não me desapontou. Sua carroceria alta rola um pouco, mas isso não atrapalha em nada o exemplar trabalho da suspensão e dos bons pneus Bridgestone Potenza ER300 de medida 195/65 R15. Force mais um pouco em curvas fechadas e a moça irá dar uma escapadela com a dianteira, bem fácil de corrigir. Subi nos ótimos freios na aproximação de uma curva e a transferência de massa foi sutil, os quadris da minivan são duros e ela não rebola muito bem, ou seja, dinâmica segura e insossa.

Após rodar por uma distância considerável, revezando entre estradas livres e caminhos infestados por "donos" da faixa da esquerda, o computador de bordo da Spin mostrava uma média de 8,5 km/l (etanol). Consumo desanimador, fruto de um cx de 0,33 e uma área frontal grande, somados a um motor de concepção antiga. O tanque de 53 litros não permite à minivan chegar muito longe sem abastecer, mas pelo menos você irá ouvir poucas vezes o famoso "pai, quero ir no banheiro", já que as escalas nos postos de combustível vão ser constantes.

Texto: Marcelo Silva
Fotos: Divulgação

Um comentário:

  1. Muito bom o texto! Bem completo! Tirei minhas dúvidas.

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