terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Avaliação Chevrolet Cobalt LTZ, Parte 3 - Na Estrada I

De acordo com o nosso planejamento de testes, após as impressões iniciais e o teste na cidade, é chegada a hora de levar o Chevrolet Cobalt LTZ para a estrada e descobrir se o motor 1.4 Econo.Flex dá conta do recado.

Frente boa para pedir passagem. Foto: Marcelo Silva

Ao contrário dos outros modelos avaliados, fizemos uma avaliação de estrada diferenciada com o Cobalt, visto que não foi possível estar sozinho ao volante do sedã, em nenhum momento. De qualquer forma, pude estar ao volante do veículo por grande parte dos 500 km aproximados que rodamos com ele em uma via de mão única.

Eu estava curioso para descobrir como seria o rendimento do motor 1.4 Econo.Flex, mas a tarefa dele não seria tão dura assim, visto que o carro viajou o tempo todo com três pessoas à bordo, sem bagagem. É mais ou menos como querer testar a força de um halterofilista pedindo para ele carregar no colo um recém-nascido.



Logo na primeira acelerada, percebi que o Cobalt deslancha com facilidade, mas não empolga. As trocas de marcha são fáceis com o câmbio de qualidade e os números vão crescendo no mostrador digital à medida que o ponteiro do conta-giros varre o mostrador até a casa dos 6000 RPM. A propósito, é impressionante como a Chevrolet trabalhou bem na acústica desse carro, visto que o berro do motor em giros elevados quase não invade a cabine. Ainda bem, pois nada mais é que um grito metálico tão amigável aos ouvidos como os agudos da Joelma, aquela da Banda Calypso.

A relação de marchas é mais curta do que a minha preferência pessoal, mas não chega a ser incômoda como em outros carros da marca americana. A 100 km/h na estrada, estamos pouco acima dos 3100 RPM, perto da faixa de torque máximo (13 kgfm @ 3200 RPM), o que se traduz em respostas rápidas, certo? Errado. O baixo torque desse motor faz com que os 1.073 kg do Cobalt sejam arrastados lentamente, obrigando o motorista a reduções de marcha que não resolvem tanto o problema de anemia. Mas dá para se acostumar.

Em subidas mais íngremes e persistentes, o Cobalt começa a perder velocidade em 5ª marcha, e os números vão diminuindo no velocímetro digital enorme. Reduzo para 4ª marcha, pé embaixo, a velocidade estabiliza. Mas eis que surge a necessidade de ultrapassar um caminhão ou ceder a faixa da esquerda para uma Hilux que se aproxima em velocidade. Como 4ª não adianta, reduzo para 3ª, pé embaixo e o sedã finalmente ganha velocidade em progressão aritimética enquanto o etanol vai sendo drenado do tanque em progressão geométrica.



Felizmente os problemas ficam por aí. O carro consegue manter bem o limite de velocidade da rodovia, com baixíssimo nível de ruído do vento ou dos pneus, permitindo que os passageiros aproveitem a qualidade sonora do rádio. Os bancos são confortáveis e não cansam após longos períodos, apenas o encosto do banco traseiro incomoda ao não oferecer apoio correto ao corpo. O ar-condicionado também demora para gelar a parte traseira da grande área interna, ainda mais sob sol forte. Também não posso deixar de reclamar (novamente) da posição de dirigir elevada demais para motoristas mais altos.

No comportamento dinâmico o Cobalt é agradável, principalmente se estiver na descida. A sensação de solidez é evidente, os freios possuem excelente progressividade e modularidade, a estabilidade é exemplar e a direção hidráulica tem calibragem precisa.

Aliás, a facilidade com que esse carro faz curvas é merecedora de aplausos. Não se espante com o jeitão avantajado dele, afinal a suspensão bem calibrada e os pneus de largura 195 são ajudados pela distância entre eixos de longos 2,62 metros. Além disso, o balanço dianteiro e traseiro é pequeno. Em qualquer descida de serra, a diversão está garantida. Só não esqueça que sua sogra irá detestar a sensação de se sentir um maracujá solto no piso de um trem indiano quando estiver viajando no banco traseiro de encosto plano demais.

Graças a essa combinação de câmbio curto, motor de baixo torque, peso elevado e necessidade de afundar o pé no acelerador em inúmeras vezes, nossa média de consumo na estrada chegou a 9,1 km/l de Etanol, um número ruim para a proposta do modelo e para a motorização que ele usa.

Na próxima parte, ficaremos com as considerações finais sobre o Chevrolet Cobalt.

Marcelo Silva

4 comentários:

  1. O carro possui peso elevado em relação a que carro? A maioria dos carros hoje pesam de 1000 a 1100 kg e não entendo seu referencial de comparação
    A Montana e a Meriva pesam mais que o Cobalt e rodam com o mesmo motor 1.4

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    1. Olá amigo,

      O peso do Cobalt não é elevado, pelo contrário, é muito bom. O problema é apenas a falta de torque do motor 1.4. Meriva e Montana se arrastam de forma bem pior com esse propulsor. Já tive o desprazer de viajar com uma Meriva Maxx 1.4 e, mesmo com o câmbio curto, era muito ruim em qualquer situação que precisava de força.

      Abraço.

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    2. Caro Marcelo
      Acredito que é uma questão de referência em relação a avaliação de carros: tive gol 1000 com potência de 55cv, assim como um Astra com 128cv. Meu Cobalt está em posição intermediária, com 102cv, daí minha impressão que o motor é suficiente para o carro. Obviamente se vier outras versões com motores mais potentes será ótimo.

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    3. Minha esposa tem um Cobalt 1.4 LTZ igual ao da reportagem, e realmente o texto mostra a realidade do carro em estrada, a 120km/h o carro parece estar pedindo pela 6ª marcha que não existe, (poderia ter cambio de 6 marchas sem mudança na relação) e o consumo é igual ou maior do que o meu astra 2011 com motor 2.0 140cv. A Chevrolet deveria ter lançado o Cobalt com o antigo motor 2.0 140cv, que não tem custo tão grande assim é seria bem mais econômico em consumo de combustível.

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